Postagens

O DESTINO DISCRETO DO OFÍCIO

Imagem
De um lugar histórico e aconchegante O DESTINO DISCRETO DO OFÍCIO Há ofícios que vivem no silêncio.   Não pedem aplausos nem palcos.   Florescem em gestos, em palavras que encontram acolhida,   Em dúvidas que viram pensamentos minimamente estruturados.   É nesse espaço discreto que a Filosofia mostra sua força:   Não no estrondo das certezas,   Mas no sopro das perguntas.   Ensinar, afinal, é acompanhar inquietações Jamais despejar respostas Mas testemunhar aproximações razoáveis Sobre alguma verdade remanescente (...) Estava eu aplicando uma prova de Filosofia para a turma de formandos do Ensino Médio. Sempre admirei o entusiasmo adolescente — um espírito desperto para idealizações preciosas. Todas as vezes que adentro uma sala de aula, encontro-me diante daquela leveza que só a juventude conhece, um jeito despretensioso de olhar a vida, ainda que atravessado por certo pavor das responsabilidades recém-impostas ao cotidiano existencial.   Nesse c...

CRÔNICAS SEMI-FICCIONAIS DA VIDA COTIDIANA I

Imagem
Um registro de hoje, enquanto caminhava numa manhã gelada SOBRE AS PEQUENAS ALEGRIAS DA VIDA ADULTA Há anos, quando em idade juvenil,  Eu costumava ver um homem  Sentado na varanda Aos domingos  Na companhia de um maço de cigarros Um copo qualquer com whisky dentro Ao lado de um rádio, que tocava rock antigo E aquela cara… Semblante carregado A face de quem foi derrotado Recompondo-se de alguma esperança  De que vale a pena alguma coisa Que não sabia o quê Era meu pai Não fazia ideia de que hoje Eu sou esse homem  O lugar foi cedido  O ocupei rapidamente Prontamente Hoje em dia me pego no espelho com uma  cara de cansaço E não melhora Mesmo nos finais de semana Mesmo sob alguma anestesia Álcool, tabaco Qualquer outra prática lícita  Ainda preservo o desespero E o tédio De novo o desespero Emergido do crepúsculo de domingo Ansiedade embriagada Deletada no dia seguinte  E então é segunda, um dia normal.  Guiado por motivos parcos  Erg...

SOBRE CONFIANÇA - [in]consciência

Imagem
  [IN]CONSCIÊNCIA   (SOBRE CONFIANÇA) Sou o que realmente julgo ser?   E quando me falta o juízo?   Sou um engano, ou uma certeza?     A certeza mais certa de toda a minha consciência   De onde vem?     E a certeza transcendental?   Aquela quando eu acho que sabem de mim!?   Uma consciência divi n a     Perante sua onisciência   Sou realmente eu?     E quando me excede a dopamina?   Que certeza tenho de mim?   Na euforia Na anestesia Sem contato comigo mesmo Resta alguma certeza sobre mim mim? Alguém sabe mais de mim do que eu mesmo?     Se sabe:   Que confiança tem minha própria consciência?     Se não sabe:   Por que aceitamos o entendimento alheio sobre nós?     Se sou o maior sabedor de mim   Por que isso não é o suficiente para blindar-me?     O que acham de nós tende a ser mais “importante”   Do que aquilo que tenho comigo, de mim me...